sobre lembranças discretas
Depois de vê-la, outra vez, me deixar sozinho em casa – rejeitando o café e duas fatias de torradas e voltando apenas para buscar o par de brincos sobre o criado mudo alguns segundos após ter batido a porta -, fiquei me perguntando se aquilo havia realmente significado alguma coisa para ela.
Colocamos nossas diferenças sobre a mesa e, entre telefonemas, emails e mensagens internas no twitter, discutimos sobre certo e errado, sobre vontades e receios, sobre expectativas e o presente real. E então, depois de termos decidido que não valia a pena, depois de termos rejeitado as possibilidades e optarmos por mantermos as coisas da forma que já estavam, voltamos atrás sem explicações extras: campainha às 2 da manhã, sorrisos, suor e suspiros.
Sem novas indiretas, vi as estações mudarem até vê-la novamente, mesmo à distância.
De todas as formas que ela poderia ter encontrado para manter por perto alguma lembrança de nós dois, a flagrei com a mais sutil. Ela, normalmente tão desligada do mundo esportivo, usava uma camisa 7 do time do São Paulo.
