Lotação
Já a havia reconhecido alguns metros antes que o ônibus fizesse menção de parar. Torci durante os poucos segundos possíveis para que não parássemos e, caso minhas preces fossem contrariadas e viéssemos a parar, para que ela não levasse os pés aos degraus. Pedidos vãos. Agora, em pé à minha frente, com um sorriso bobo, ela pergunta:
- Posso sentar ao seu lado?
Olho em torno e percebo que não há qualquer outro lugar vago senão à minha esquerda. A contragosto, embora me esforçando para não parecer mal educado, respondo:
- Claro!
Continuo minha viagem solitária, o olhar a correr pelas fachadas das casas, pelos pedestres, pelos ciclistas, e a mente a rogar para que ela não tente conversar.
- Nossa! Há quanto tempo não nos víamos!
- É. Deve ter tempo sim…
- Uns três anos? Cinco?
- Alguma coisa por aí.
- Nossa… e agora aqui, no ônibus.
- Pra você ver…
- Então diz, como andam as coisas?
Antes porém de concluir a palavra “bem”, me levanto e puxo a cigarra. Estou alguns quilômetros antes do meu destino, mas não me importo.
- Tenho que ir. Prazer em revê-la.

Nossa, fiquei me imaginando oq a pobre coitada fez pra ser tão rejeitada. hahahaha
Legal Jorge, não sabia q tava com esse blog ainda…