Insone

Dezessete graus, ou algo por aí. Parece que teremos um bom inverno esse ano.

Minha barba cresce na mesma velocidade dos carros que avançam sinais, guiados por motoristas bêbados às três e quinze da manhã. Ou das sirenes que gritam as quatro, correndo contra o tempo para salvá-los da morte.

Na tevê quase sem som, vídeos velhos, jornais sem tesão, religiosos sem conhecimento, programas de televendas. (Fico com os vídeos velhos: um especial sobre Iggy Pop, ao que parece. Mas não estou interessado, não sou feliz, não estou sóbrio, não tenho atenção, não me encho de sono. Só preciso ouvir as vozes baixas, o som de algumas risadas. Só preciso ter a impressão de que, ao menos hoje, há algum movimento por aqui).

Estou deitado no sofá da sala ao lado de um carrinho vazio de bebê.

~ por Jorge Wagner em Março 26, 2009.

Uma resposta to “Insone”

  1. :) Nem sei se entendi muito bem Jorge… Mas acho que oposto também se aplica, e quando a gente tem muito movimento, a vida tbm passa e a gente também precisa de qualquer pouco esboço de “humanidade”(não encontrei a palavra certa) pra se sentir em paz.

    um beijo

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